sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Her photo on my screen

I see her in my bed
Wrapped in her dreams
But I couldn’t see about what they are
I listen her in the hall
Her steps are still songs to me
But I was deaf to their amplitude
I see her in the kitchen
Drinking wine, smiling to me
Her mouth mimetizing sweet words
As if happiness could be spoken
I can swear she is sitting at the table
Holding a glass
I look at her legs
They still give me thirst
I kiss her warmly
My arms are thousand arms
And I tell her about love

I told her
Because I believed I knew what love was
But love is a tempest
And I was really deep on it
To conceive its greatness

Now, I give a like on her photo

Shinning mercilessly on my screen.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Why I write

I write because the world is confusing
And my talk is a way to signify it

I write because somewhere
A child dies hungry
While we toast to daily small successes
Quenching other hungers

I write because right now
A man jumps from a bridge
Because he couldn’t understand the works
And he had to drink a lot
He had to run like crazy
Working like a slave
Earning money
And in the end, there was just him
Human, fragile, minimal, weary
Fighting the same fight
Caught on the ropes

I write because the day is a cell
With no door or window
And maybe I can knock down the walls
With the subtlety of a metaphor
Like a rose bleeding a landscape

I write as someone who shoots himself in the head

Waiting to live forever.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Seed in the summer

I woke in the morning
But the morning didn’t wake in me.
I see the sun shining
But it’s not shining for me.
I feel the refreshing air
Filling the space around
But my lungs now rather smoke cigarettes
I can hear a poem
Knocking on my brain’s door
I invite it to come
Desiring its words, blessed by pleasure
But they only have the manure of daily life
Offered to me as necessary and irrefutable food
And I need to get used to it
       -  to sprout cold and lonely
As a buried seed in the summer.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Corpo

(Poesia recuperada do antigo diário das marés)

O teu imenso mar de possibilidades,
          corpo,
é saber que tua forma é cotidiana
e que teu sangue pulsa
nas artérias das cidades.

O silêncio acumulado das tardes
— jogado a óleo de máquina em tua cara —
é a tinta com que constróis disfarces —
eterna criança brincando em teu jardim.

E à noite, espalhado pelo quarto,
                                          sorrateiro,
te confortas no abraço
de um cigarro qualquer,
buscando, na fumaça, tua matéria e o teu alento.

domingo, 18 de agosto de 2013

Minha garota atirou em mim


— Love u, costumava deixar-me envolver nos seus braços com essas palavras.

Lembro-me de como era macio o seu toque e como desejávamos sair daquele bairro, atingir o inatingível, fumar os cigarros proibidos, bebendo todas as noites nos bares escondidos da cidade.

O seu cabelo loiro era uma criança travessa em meus dedos, os olhos fixamente nos meus, tão carinhoso o seu gemido quando eu lhe enviava por trás, o vinho na mesa, e de repente: “bang-bang”, minha garota atirou em mim.

Eu atingi o chão, meu rosto de encontro ao piso da sala, "meu amor, love u", eu ouvia o barulho das águas escondidas nos seus olhos, "bang-bang", minha estrela, "with love", atirou em mim.

As coisas foram ficando muito pesadas, "ela me envolvia nos seus braços", a bagunça do quarto, a bebida sempre na mesa ao alcance das mãos, "bang-bang", eu, antes de atingir o chão, ainda disse que a amava. A carta estava em suas mãos, urgia matar, <i>My baby shot me down</i> era o tema que rolava na vitrola, e, na noite anterior, ela me disse que estava em depressão, sentia-se tão mal, gorda, chorou, queria trepar, acendeu um cigarro no meio da madrugada, conversou com os fantasmas de nossos sonhos. Um emprego melhor, talvez... Perguntou se eu queria sobremesa.

— Love u, baby, muito, apesar dos passos errados e do excesso de vinho e do meu corpo estar frio nesses dias. "É que eu ando meio triste ultimamente", <i>My baby shot me down</i>, "e queria trepar em excesso, beber em excesso, achar um palácio de sabedoria escondido nas tuas pernas", "bang-bang", "ou um outro mundo com mais fantasias", minha garota atirou "with love, baby".

— E eu te amo tanto, chorava ela hoje pela manhã, com tanta intensidade que me assusta abrir esta carta.

— Então não abra, eu disse.

— Eu não quero. É mais forte do que eu.

A igreja estava florida no dia da nossa união, os amigos todos lá, e agora o meu rosto colado no chão olha o seu doce sorriso de insanidade, "bang-bang", foi o que eu ouvi antes dela dizer "love u" e me envolver novamente em seus braços quentes. Eu tentei pegar sua mão, "meu amor", mas não consegui, tu já eras feita do que não é, as coisas mudaram tanto, baby.

Foram muitos dias nesse apartamento, os quadros já nem fazem tanta diferença, as contas já não formam pilhas ao lado do telefone, eu ainda a amo, meu rosto colado no chão, "baby", e ainda vi os seus passos em direção à porta, calmos, o pé da cadeira eu vi também, "with love, eternamente seu, Carlos".

Não consegui ver isso na carta, não conhecia nenhum Carlos até então. Ela me convidou pra sair no sábado, eu disse que preferia ficar em casa.

— Mas o que é isso?, ela perguntou quando chegou no meu quarto, as roupas pelo chão.

Disse que não era nada, era só uma aventura, e quando perguntei o que era aquela carta, ela me disse que não era nada, era só uma vingancinha besta.

E disse: "Eu te amo tanto, baby". Bang-bang, you shot me down, "nosso amor", bang-bang, I hit the ground, ainda pude ouvir o acorde melancólico que saía da garganta da cantora, bang-bang, that awful sound, "está escrito em nosso sangue", bang-bang, my baby shot me down.

Minha garota atirou em mim. "Me perdoa, meu amor."

E saiu, deixando a porta entreaberta.