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sábado, 27 de novembro de 2010

Comentários Musicais

Acabo de assistir ao documentário Metal – A Headbanger's Journey, um alucinante e informativo mergulho no mundo do heavy metal idealizado e concretizado pelo antropólogo canadense Sam Dunn (baixe aqui), e confesso que me senti compelido a escrever esse comentário musical. O tema? Adivinha!

O heavy metal, concordam vários especialistas no assunto (inclusive Sam), surgiu de uma transformação do rock’n’roll, estilo que envolve rock, punk, hard core e possui raízes blues e soul. Sua paternidade é controversa, visto que não se pode dizer ao certo qual o primeiro heavy metal da história. É no entanto quase consenso que o Black Sabbath, se não foi seu criador, foi quem configurou o estilo – ou seja, sem essa banda, não haveria o gênero.

Do final dos anos 1960, quando surgiu, até os dias de hoje, o barulho se dividiu em inúmeros subestilos, dentre os quais se destacam o glam metal, o thrash metal, o death metal (fodástico!), o doom metal e o black metal. Sua existência sempre foi cercada de lendas e fatos – estes, no mínimo, curiosos: quem nunca ouviu a clássica história da cabeça do morcego arrancada a dentadas pelo Ozzy, em pleno show, ou a entrada do Manowar para o Guiness como a banda mais barulhenta do mundo, ou a missa negra do LP do Venom, quando rodado ao contrário.

Histórias à parte, o fato é que o heavy metal se configura em um estilo musical bastante rentável e muito popular hoje em dia. Bandas como Iron Maiden, Megadeth, Metallica, Sepultura, Motörhead e AC DC, só para citar algumas, possuem um público tão grande quanto algumas bandas pop consagradas.

No mais, deixo-vos, pacientes leitores, com uma das músicas mais emblemáticas e estranhas do heavy metal, considerada por muitos o início de tudo: Black Sabbath, tocada pelo Black Sabbath.


segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Comentários Musicais

Em publicação recente sobre a vida e obra de Raimundo Carreiro, Anco Márcio, professor do Departamento de Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal de Pernambuco, recorre a Eugênio Evtuchenko, “um esquecido poeta russo”, para lembrar que “A autobiografia de um poeta são seus próprios poemas”.

Em parte verdade – pois, tal como Anco, no mesmo texto, não desprezo outras fontes documentais, como entrevistas, artigos, cartas e a fortuna crítica sobre o autor –, esse axioma pode ser aplicado na apreciação da música: ouvir a obra de um autor é o primeiro passo para conhecê-lo.

Acho bem interessante conhecer trajetórias de vida, influências, o que um autor diz sobre si e o que se diz sobre ele. Uma obra artística não existe sem contexto. No entanto, sua força não pode ser mensurada apenas pelas referências externas.

É o caso de Victor Lemonte Wooten, multi-instrumentalista norte-americano e um dos baixistas mais premiados do mundo. Elogiado principalmente pelo seu virtuosismo, ouvir Wooten é uma experiência nova e instigante, pois sua musicalidade parece encerrar em si um significado novo para a música instrumental contemporânea. Reunindo uma miscelânea de tendências, Wooten criou um estilo próprio de tocar, extremo, no qual o signo musical se prolifera em frases, ritmos e harmonias pouquíssimo vistas em um baixo elétrico (aconselho uma busca rápida na internet para vê-lo tocando).

Wooten começou sua carreira na Wooten Brother Band, junto com seus quatro irmãos mais velhos Regi, Rudy, Roy e Joseph, seguindo depois para o aclamado Béla Fleck and the Flecktones, com o grande “banjista” Béla Fleck. Participou de outros grupos não menos importantes, como o Bass Extremes, o The Vital Tech Tones (com Scott Henderson e Steve Smiths), o Extration (junto com Greg Howe e Dennis Chambers) e o SMV (com os lendários Stanley Clarke e Marcus Miller). Sua carreira solo é marcada pelos discos A Show of Hands (1996), What Did He Say? (1997), Yin-Yang (1999), Live in America (2001), Soul Circus (2005) e Palmystery (2008). Do seu currículo, constam três prêmios de baixista do ano pela revista Bass Player e cinco prêmios Grammy Award.

Mas, como disse, as referências externas são só pistas. Assim, para apreciação do paciente leitor, disponibilizo neste post um versão acid jazz que o Béla Fleck and The Flecktones, banda que proporcionou visibilidade a Wooten, fez para um clássico dos Beatles, Michelle.

(Um curiosidade: o nome da marca do baixo do cara é Fodera. Coincidência?)